Além da Faculdade

Tive uma discussão com um amigo sobre o modelo de ensino na graduação que temos no Brasil. Eu disse que a faculdade nos limita, quando estamos na faculdade acabamos estudando apenas assuntos relacionados à faculdade e que, quando me formei, foi quando passei a realmente aprender sem sentir obrigação, a estudar e ler, ser mais autodidata no que tenho interesse para minha vida.

Ele já foi me criticando que eu estava dizendo que as pessoas não se estimulam a aprofundarem seus conhecimentos e que não é culpa delas. Não era isso. Realmente a maioria das pessoas que faz graduação para por aí. Mas também não estou falando em fazer pós graduação, e sim abrir os horizontes para aprender mais sobre tudo, abrir o leque.

Fiz curso de Direito e adoro o Direito, é lindo, amplo e estuda as relações humanas com a lei e a sociedade sendo uma ciência social aplicada. Então, não é que não gostei do meu curso, eu amo Direito, a minha ressalva é à faculdade. Também não falo da faculdade em que cursei (FADISMA), lá tem até diferenciais que estimulam o aluno a ir além, tem núcleos específicos e variados de estudos, estímulo à pesquisa e também envolvimento dos alunos com a sociedade através de projetos. Tive um privilégio em estudar lá, e a escolhi justamente porque é diferente (tem matéria de criminologia, direito e cinema (!), etc.).

Minha crítica é ao modelo de faculdades que temos aqui no Brasil, sejam elas privadas ou públicas.

Aqui no Brasil saímos do ensino médio na maior pressão do mundo para escolhermos um curso que (as pessoas nos fazem acreditar) vai ser a carreira do resto da nossa vida. Fazemos o ENEM ou o Vestibular, escolhemos o curso e entramos. Cursamos, gostando ou não, e depois somos largados no mercado de trabalho com um diploma.

Eu não estudei nos Estados Unidos, mas lá é um pouco diferente daqui. A diferença já começa cedo. O aluno do Hight School vai fazer uma prova (parecida com nosso ENEM), mas não é só isso, ele será avaliado pelas notas mas também pelas atividades extracurriculares que ele vem fazendo ao longo da escola, tudo é diferencial para ser aceito na College. Então, o aluno vai para a College e passa, se não me engano, dois anos fazendo diversas matérias que ele escolherá que ainda não são do curso que ele quer (se é que ele já sabe que curso ele quer). Por exemplo, o aluno poderia escolher estudar biologia, contabilidade, sociologia, filosofia, física, marketing, empreendedorismo, etc… ele pode abranger um amplo caminho até chegar à sua área que escolherá para se graduar. Ele sai com um currículo amplo e de acordo com seus interesses e suas habilidades.

Esse modelo me parece mais interessante.

E isso estimula a pessoa a ser um profissional melhor, de qualidade, criativo, inovador, empreendedor e com muito mais conhecimento!

Já as nossas faculdades aqui no Brasil são engessadas nesse sentido, elas nos cansam. E poucas, bem poucas mesmo, estimulam seus alunos a irem além, a buscar mais do que o diploma, a criar e inovar mais para sua vida. Não é por acaso que a maioria das pessoas para por aí e não busca conhecimentos mais profundos nas suas áreas e em áreas diversas de seu interesse. Muitas pós graduações acontecem nesse sentido, pacatas que o aluno se desestimula ainda mais a produzir (já ouvi exemplos de colegas e não foi pouco…).

Isso reflete na qualidade profissional, eu acredito.

Ainda bem que isso vem mudando, a partir da minha geração (tenho 24 anos) as pessoas já não tem mais aceitado esses modelos engessados de trabalho, basta observar as inúmeras inovações empresariais que vem surgindo nos últimos anos. A economia tem mudado e estimulado a criatividade na busca de oportunidades.

E com isso, acredito que as faculdades vão começar a mudar um pouco também… precisam. Ou, como no Brasil mudança é mais difícil por ser um país conservador, talvez fosse preciso uma reforma educacional desde a base, é… assunto pra outra oportunidade!

Pra fechar, como li num texto escrito por Murillo Leal:

“Se deseja fazer algo, estude, aprenda, respire o assunto por si mesmo! Não espere ninguém lhe ensinar a viver. Muito menos uma faculdade. Realize, pois o mundo não fará nada por você.”

Recomendo o texto do Murilo Leal: https://www.linkedin.com/pulse/ter-emprego-para-pagar-contas-n%C3%A3o-faz-sentido-murillo-leal?trk=hp-feed-article-title-hpm

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Obrigada pela leitura. Se você gostou, compartilhe!

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